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A pirataria na era do streaming








A pirataria na era do streaming











*Por Marta Ochoa
O momento atual é do streaming, estamos em um período de
grandes transformações para o segmento audiovisual. Mas qual a relação entre
streaming e pirataria? Uma pesquisa recente da Alianza, grupo que reúne
empresas da indústria de TV por assinatura, mostra que mais da metade das
pessoas que têm acesso à internet consomem serviço de streaming. E, a pirataria
aproveita esse momento, começando a oferecer seus serviços por meio desta
tecnologia. As conexões são tantas que falamos de uma rede mundial de
criminosos, que juntos criam uma cadeia maior do que podemos imaginar. Antes da
popularização desse tipo de disponibilização de conteúdo, as empresas já
registravam casos de pirataria, os famosos “gatos”, que captam, de forma
fraudulenta, a programação exclusiva da TV por assinatura.
Esses crimes precisam ser vistos como um problema social,
já que a prática é prejudicial não só para o setor como para a sociedade, pois
promove concorrência desleal, reduz a arrecadação do governo, elimina postos de
trabalho legais, incentiva o cliente a uma prática criminosa e cria uma cadeia
de delitos que vai desde o contrabando de equipamentos, estabelecimento de
redes clandestinas de revenda até chegar à utilização indevida de programação
sem pagar por nenhum direito autoral. Nestes casos, muitas vezes, registram-se
crimes de concorrência desleal, evasão de divisas, associação criminosa e
atividade clandestina de telecomunicações.
O impacto é tão grande que somente nos países da América
Latina os governos estimam perda anual de US$ 1,2 bilhão em perdas tributárias.
Só no Brasil, por exemplo, projeta-se que as perdas sejam de mais de US$ 486
milhões em evasão de divisa e US$ 2 bilhões em perdas de receita. Isso sem
falar nos royalties que atores, músicos, produtores, roteiristas, escritores e
diretores deixam de receber. Essa indústria do crime também afeta os
trabalhadores – sem a pirataria, mais de 50 mil vagas de emprego poderiam ser
criadas pelo setor.

Aliança para combater a pirataria na TV paga
Mas é possível combater a pirataria? Foi pensando nisso
que em 2013 nós fundamos a Alianza, que reúne empresas como SKY, DIRECTV,
Discovery, Globosat, FOX International Channels Latin America, Telefonica,
Telecine, Media Networks Latin America, entre outras, para juntas poderem
traçar estratégias de combate a essas práticas. Nós acreditamos, que com toda a
indústria mobilizada, podemos avançar, cada vez mais, nesse combate, mas para
isso também precisamos garantir que haja melhores legislações e fiscalizações
rigorosas.
Há um forte investimento em tecnologia e treinamento por
parte da indústria, mas é verdade que a pirataria inova na mesma velocidade que
nossas tecnologias de combate. Verificamos que nos últimos anos, com o trabalho
em conjunto do investimento da iniciativa privada e das autoridades públicas,
foi possível trazer um ambiente tecnológico mais seguro e controlar o avanço da
prática ilegal.
Como parte de nossa estratégia, montamos um laboratório
em São Paulo que acompanha o funcionamento da pirataria, testando e monitorando
todos os equipamentos e aplicativos existentes hoje no mercado. Por lá, também
desenvolvemos tecnologias que nos auxiliam no combate a esses crimes. Durante a
Copa do Mundo realizada no Brasil, por exemplo, fomos capazes de impedir toda a
transmissão pirata de jogos por meio de tecnologia.
Tudo isso é parte de um esforço contínuo, e o engajamento
da sociedade civil é um elemento fundamental para frear o avanço da
ilegalidade. É necessário que continuemos a investir na conscientização dos
consumidores, para que não só deixem de adquirir esses produtos, mas atuem na
prevenção do crime. Também entendemos que não conseguimos seguir em frente sem
a parceria das empresas da indústria e muito menos sem a ajuda do poder
público. Juntos, podemos vislumbrar um futuro próspero e protetivo para a
propriedade intelectual e toda a sociedade.

*Marta Ochoa é diretora executiva da Alianza e de
Antipirataria da DIRECTV América Latina.
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